segunda-feira, 22 de janeiro de 2007


dar flores. receber flores. gastar flores. perder flores. encontrar flores. ouvir as flores...
de manhã, quando acordei, as flores que me tinhas dado, todos os dias, haviam ficado esquecidas, na jarra, sem água.
agora secas.
agora vazias.
das suas cores vivas apenas a memória.
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(imagens: telas de Isabel Cristina Lamas)
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(...) O melhor é ires jantar num lugar tranquilo, ocupares-te mentalmente imaginando, erradamente, a vida pobre do empregado que te serve, pagares a conta e partires. Nem te perguntes sequer se vais conseguir. Tu não vais conseguir.
Se quiseres espreita só dentro de ti. Lá está ela a olhar-te e logo a fugir com os olhos de asas a bater. E tu, encantado, a passeares num canto do seu sorriso. Mesmo a tocares-lhe no cabelo desfeito, a agarrares-lhe no crânio. E no resto da memória chegam murmúrios que se guardam sem palavras. Não queiras mais. Mesmo que quisesses o que saberias? Guarda-a dentro de ti ciente de toda a inutilidade que nisso há.
Se quiseres podes telefonar, mas só de vez em quando. Ela não vê a cara que tens e podes controlar melhor a tua voz. Manda-lhe flores, estrelícias e antúrios em particular, mas não mandes mensagens. Deixa de existir. Porque não interessa o que dizes. Interessa só que queiras dizer alguma coisa e que essa alguma coisa não tem importância alguma. Não tentes explicar, diz que estás doente, diz que é verdade. Faz de conta que não sabes. Não sejas injusto e sobretudo tem piedade de ti.
(in "Paula", A Noiva Judia, de Pedro Paixão)

4 comentários:

Tuche disse...

Flores, são sempre flores...

Bom dia, hoje é o nosso dia e o meu já começou bem :)

Um beijo enorme

Rosalina disse...

é, tuché. o texto do pedro pediam mesmo estas. :)

uma boa semana para ti.

Cristina disse...

fantastico, o último parágrafo! :))

beijinhos

Rosalina disse...

estamos de acordo, cristina. ;)