segunda-feira, 16 de outubro de 2006


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As janelas


Nestas janelas escuras, onde vou passando
dias pesados, para cá e para lá ando
à descoberta das janelas. - Uma janela
quando abrir será uma consolação. -
Mas as janelas não se descobrem, ou não hei-de conseguir
descobri-las. E é melhor talvez não as descobrir.
Talvez a luz seja uma nova subjugação.
Quem sabe que novas coisas nos mostrará ela.



(KAVAFIS, Konstandinos - Poemas e Prosas,

trad. de Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratsinis,

Relógio D´Água, 1994, pág. 83)

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a descoberta de janelas. a procura. todos procuramos janelas. queremos encontrá-las e de seguida abri-las. e depois a luz que encontramos será para nós?!

6 comentários:

wind disse...

Claro! Para nós e para os outros com quem partilhamos a nossa vida, amizade, solidariedade...;)

wind disse...

Esqueci de escrever que gosto muito de Kavakis:)

wind disse...

*Kavafis

Rosalina disse...

não sei, wind. sobre essa 'luz' e para quem ela seja...

HarryHaller disse...

Já comigo, a janela vem sempre subsidiariamente, pois privilegio a abertura da porta.

Um abraço, desjo-te uma boa semana.

Lobo das Estepes

Rosalina disse...

e essa talvez seja a forma mais saudável, harry.

até porque se quiseremos continuar a usar a metáfora de Kavafis, abrir uma janela é 'apenas' uma consolação.

"Uma janela / quando abrir será uma consolação."

uma boa semana, também.