segunda-feira, 30 de julho de 2007



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por José Rodrigues dos Santos, O Codex 632, pp. 119-120, Gradiva

"Exactamente. De resto, e se formos a ver bem, esta política fazia todos o sentido. Os portugueses eram um povo pequeno e com recursos limitados, não seriam capazes de competir com as grandes potências europeias em plano de igualdade se todos partilhassem a mesma informação. Eles perceberam que a informação é poder, e, conscienciosos, guardaram-na com grande avareza, preservando assim o monopólio do conhecimento sobre esta matéria estratégica para o seu futuro. É certo que o silenciamento não era total, mas selectivo, ocultando apenas determinados factos sensíveis. Note que havia situações em que, pelo contrário, até era conveniente publicitar as descobertas, uma vez que a prioridade da exploração de um território era o primeiro critério na reivindicação da sua soberania."

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Eles perceberam que a informação é poder... - lição apreendida.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

protestar é preciso!!!Rui Rodrigues de Sousa
Lê-se o seguinte no Jornal de Notícias, online:


Director do GAVE assume erros


Carlos Pinto Ferreira, director do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) do Ministério da Educação, assumiu ontem "inteira responsabilidade" nos erros dos exames nacionais de Física e Química A do Ensino Secundário, visto que quem controla as provas não é a ministra da educação, é sim o director do GAVE.

Estas declarações vieram na sequência da acusação da Federação Nacional de Professores ao Ministério da Educação de não "assumir as suas responsabilidades". Contudo, o director sublinha a "qualidade elevada" das provas.

No próximo ano, a auditoria das provas dos exames vai ter também a colaboração das associações de professores e sociedades científicas.

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Ora bem, há aqui qualquer coisa que não entendo. Então é um Director de serviços de um Órgão do Ministério da Educação que assume a "inteira responsabilidade" de erros em exames nacionais?!..

O GAVE é apenas um serviço do Ministério da Educação, logo, o erro foi desse serviço, mas a responsabilidade é do Ministério. Não será?!

E, provavelmente, com tantos erros em exames a nível nacional desde o ano passado, a responsabilidade já nem é da Ministra da Educação, mas sim do próprio Primeiro Ministro.

E agora levanta-se-me uma dúvida: será que poderia escrever isto aqui?!



quarta-feira, 18 de julho de 2007

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gosto de cozinhas arrumadas. assim, como esta.

segunda-feira, 16 de julho de 2007


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por António Ramos Rosa


As palavras mais nuas as mais tristes.
As palavras mais pobres
as que vejo sangrando na sombra e nos meus olhos.
Que alegria elas sonham, que outro dia, para que rostos brilham?
Procurei sempre um lugar onde não respondessem,
onde as bocas falassem num murmúrio quase feliz,
as palavras nuas que o silêncio veste.
Se reunissem para uma alegria nova,
que o pequenino corpo de miséria respirasse o ar livre,
a multidão dos pássaros escondidos,a densidade das folhas,
o silêncio e um céu azul e fresco.


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as palavras. as nossas palavras, às vezes, ficam mudas. e os silêncios são assim azuis e frescos sempre à espera de outro dia.

sábado, 14 de julho de 2007




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Síntese de dois anos de governação.

quinta-feira, 12 de julho de 2007


esgar cruel




não entendo essa frieza. esse esgar cruel. essa ousadia do teu olhar. são todos os dias os mesmos e tu sem desceres. sem quereres, sequer, falar comigo.
no café, ontem, quando me pediste para ir embora, tive vontade de sair dali definitivamente. tive vontade de não te tornar a ver. tive vontade de não permitir que me voltasses a olhar assim.
saíste, de novo, sem nada para deixar que eu abraçasse...e o meu dia correu como um labirinto fechado.
chorei.
já nem a memória das tuas mãos no meu rosto eu recordo. as tuas palavras soam-me estranhas. e esse olhar perdido no vazio aterroriza-me.
tens-me presa às memórias daquele tempo em que nos ríamos e era tudo tão fácil. daquele tempo em que, depois de nos abraçarmos, eu ficava feliz e não pedia mais nada. só a tua presença.
agora, tenho medo de ti.
escondo-me nos lençóis da cama à espera que tu não venhas. que te percas nalguma rua e esqueças a morada desta porta. mas tu vens sempre. mas tu olhas-me sempre com esse perfil tão cínico.
hoje, de ti, só medo e raiva.
pergunto-me tantas vezes quando começou o vazio, quando é que as nossas almas se separaram e não encontro o dia.
terá sido numa hora, num dia, num minuto?!
diz-me.
assim, enlouqueço.
assim, perco-me destas palavras cruzadas de lágrimas e raivas, quase surdas por uma espera que nunca vai chegar.
eu sei.
estou presa.
eu sei.
eu amo-te.
eu sei que não me posso ir embora.
eu sei que tenho medo de ti!



19.junho.2006

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Do Jumento

Não serão lágrimas de crocodilo?

Não há nada como ver as sondagens a cair e ouvir uma vaia tsunamica num estádio de futebol para transformar um primeiro-ministro insensível na mais simpática das criaturas, semanas depois de as decisões desumanas de duas juntas médicas andarem nas primeiras páginas dos jornais Sócrates veio a público que tinha ficado chocado. Ficou mas não falou, só o fez semanas depois e quando tem a percepção de que está em queda. Pior ainda, ficou chocado mas deu cobertura aos responsáveis com o seu silêncio.

Não basta encobrir responsabilidades dizendo que vai adoptar nova legislação, a legislação actual não determina que um professor seja obrigado a dar aulas quando já está mudo e o seu cancro próximo da fase terminal. por muito menos há muito boa gente que se livra do trabalho. Além disso o professor que veio a falecer recorreu para o presidente da CGA e nada se fez.

Este caso é uma violação elementar dos direitos humanos perpetrado por um burocrata sem perfil para o lugar, se Sócrates está mesmo chocado só lhe resta demitir os responsáveis começando por demitir o presidente da Caixa Geral de Aposentações.

Se o primeiro-ministro ordenou a reavaliação das juntas médicas é porque não confia no trabalho que foi feito e se não confia nesse trabalho como pode confiar no presidente da CGA?

Não estaremos perante lágrimas de crocodilo?

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Resposta: Sim.

segunda-feira, 9 de julho de 2007


dias doces, cheios de nostalgia, aqueles que me fazem desejar que o tempo passe. que o tempo seja fresco e breve e leve. que o tempo não me atraiçoe. que o tempo exista.
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(foto de Cristina vieira)

sábado, 7 de julho de 2007

à espera...

Waiting with moonlight
Francis A Willey
Então, cá vai.

Aceitando o desafio da Cristina... Ando em mãos com os seguintes títulos:
Chocolate, Joanne Harris; O Processo, Kafka; Em Busca de um Mundo Melhor, Karl Popper.

E, entretanto, porque arrasto sempre as leituras - não gosto de acabar um livro - vou saltitando por outros. Ainda hoje estive a reler
as prosas esquecidas IV de Eça.

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por Eça de Queirós, pp. 163-164, prosas esquecidas IV, Editorial Presença 1965


Num momento indubitavelmente perigoso, quando se abalam as fronteiras dos reinos; quando há oscilação na carta da Europa; quando se aproxima a época do derrubamento de instituições, e de transformações sociais; quando se precavêem nações com armamentos, invenções, organizações; quando a política de alianças suscita desconfiança às potências dominadoras; quando as pátrias vão ser revolvidas, como nos tempos geológicos se revolvia a terra; quando se agita a política de arredondamento de nacionalidades, de inutilidade de pequenos países, e a política de fraccionamento de estados, e de inconveniente das grandes extensões políticas, neste momento de perigo para Portugal, de luta para a Espanha, de miséria para ambos - a Folha do Sul ri-se!
Quando um ministério toma intimidades injustas, adopta imitações perniciosas, consagra relações desairosas com aqueles sistema doutrinário do governo espanhol, que não podendo sustentar-se pela liberdade, se sustenta pela ditadura; quando um ministério corteja e aplaude todo o sangue liberal que cobre o corpo inteiro do general Narvaez; quando adopta as ideias dos modelos de Espanha, que declaram que lhe é insuportável a liberdade, que é necessária a inquisição; quando esta união de factos, de ideias, de vistas cortesãs, inquieta os nobres espíritos, as consciências livres, os filhos daquela gente que teve fome e frio no cerco do Porto, e netos dos que se bateram pela independência da Península, e que viram as casa queimadas, as famílias assassinadas, as fortunas dispersas; quando se desenham no espírito estas negras dores - a Folha do Sul ri-se!
Já vêem que é o riso dos antigos bobos cortesãos, meios doidos e meio perversos.
A Folha do Sul ri-se mais por não sabermos aritmética, pela nossa obscuridade de ideias, por não sabermos geografia.
Ora nós sabemos mais aritmética decerto do que aqueles que apoiam o ministério destruidor das finanças.
Temos mais lucidez de ideias do que aqueles que, para combater princípios, procuram em todo o seu interior, no pensamento, no espírito, na alma, no coração, no instinto e na vontade, e só acham a chufa!
Sabemos mais de geografia decerto do que aqueles que apoiam um ministério que quer chamar a fronteira de Espanha até ao Oceano Atlântico!
A Folha do Sul ri-se, porque considera a pátria o tablado de uma forca.
Mas na imprensa combatem-se ideias, discutem-se princípios, debatem-se sistemas, argumentações, métodos, mas não se provocam risos. O lugar augusto das ideias não é o recanto cómico das risadas.
Quem tem a alma cheia de impropérios, de desonestidades, de cinismos violentos, não vem para aqui, para a imprensa. Para a imprensa vêm os que têm uma ideia, um princípio generalizador, uma alma criadora. Aqui não é o lugar dos que se riem.
Depois da traição, não venha o escárnio. Já bastante ferida está a liberdade, a fortuna popular, a administração pública; este pobre país não tem já a vitalidade dos fortes.
Os que aplaudem o imposto de consumo e a guarda civil, já lhe deram as punhaladas; não lhe atirem agora as imundícies!


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Assim escrevia Eça de Queirós sobre o Estado da Nação no Ano da Graça de 1867. Ainda assim actual...




sexta-feira, 6 de julho de 2007

a mesma inocência...







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(tela: Children Carving May Flutes, de Bocklin
// foto de Byrne out)

quinta-feira, 5 de julho de 2007

vamos a banhos...

Bañistas
Coco Pieart
Ministério denuncia aproveitamento do caso de professores doentes obrigados a trabalhar

DESTAQUE PARA OS COMENTÁRIOS:

Já começo a ficar indignado com tanta desconsidera...
Por Vitor Henriques, nazaré
Já começo a ficar indignado com tanta desconsideração que tem sido feita aos professores. Ele é a srª Ministra da Educação, ele são os Secretários de Estada Walter Lemos e Jorge Pereira. Não bastavam estes para denegrirem a imagem de todos os professores face à opinião pública e agora era também o que faltava ou seja a Caixa Geral de Aposentações obrigar os afectados por doenças oncológicas a trabalharem até à hora da morte. Senhor director da CGA demita-se já pois está a prestar um péssimo serviço ao país ou então demita que cometeu tamanha injustiça e crueldade para com alguém que contava com pelo menos 30 anos de serviço docente. Será que esses ditos senhores tiveram o mesmo zelo para com os políticos que com meia dúzia de anos se reformaram com elevadas subvenções vitalícias ? Mas que raio de justiça é esta que só pende para quem menos tem? Sabia que o país estava doente, mas tanto não...
Mão sujas, as deste governo...
Por Observador atento, oeiras
Mão sujas, as deste governo. Afirma que o Ministério de Educação não teve nada a ver com estes trágicos acontecimentos. Mas "esquece" que a caixa geral de aposentações está sob a tutela do mesmo Governo. E que são dadas instruções específicas quanto ao comportamento desta. E a constante postura deste governo face aos trabalhadores, quer sejam funcionários públicos, professores ou qualquer outro grupo profissional? Em contraponto ao comportamento do governo para os grandes grupos económico-financeiros, que graças às políticas activas deste "PS" estão cada vez mais poderosos e ricos.
O ME pode não ter qualquer intervenção directa na ...
Por Xana, Porto
O ME pode não ter qualquer intervenção directa na decisão relativa a aposentações, mas que dá um grande contributo para que os professores estejam a ficar doentes, não tenham dúvida que dá ! E muito!
Olha quem, a denunciar aproveitamento político de ...
Por Anónimo, Carvalhal
Olha quem, a denunciar aproveitamento político de outros. Há quase 3 anos que são os primeiros a enganar os portugueses. Fartam-se de manipular os dados das escolas. Além disso, quando as notícias são más ou não as divulgam ou guardam para 6ª-feira à tarde. Batoteiros.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

"As pessoas viviam amedrontadas e sabiam que podiam ser denunciadas a qualquer momento sem que houvesse necessariamente razão para isso. Quando alguém era denunciado, levavam-no preso e, muitas vezes, era torturado até confessar. Alguns dos suspeitos chegavam a confessar-se culpados só para acabar com a tortura. No caso do acusado não se mostrar arrependido ou de ser reincidente, era condenado, em cerimónias chamadas autos-da-fé, a morrer na fogueira."


(in wikipedia, busca Inquisição)

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Não é à toa que transcrevo este excerto, nem foi por acaso que procurei a definição de Inquisição.

Assusta-me que o início deste excerto, referindo-se a um tribunal cujas origens remontam ao século XII, seja hoje, no século XXI, sentido: "As pessoas viviam amedrontadas...". E mais assustador se torna o sentimento, quando a par de intimidações, demissões, sei da existência de grupos de pessoas que, não sendo um tribunal, decidem quase sobre a vida ou morte das pessoas.

Porque, considerar que um professor de filosofia
sujeito a um “amigdalectomia esquerda e laringectomia total com esvaziamento ganglionar cervical, funcional, bilateral e traqueostomia permanente (intervenção cirúrgica que consiste na abertura da traqueia para aliviar uma obstrução e manter as vias respiratórias livres)",
está apto para o exercício das suas funções, é estar a torturar e a condenar à morte.


A terminar esta nota, outra, de indignação, cito ainda
Oliveira Marques, da mesma pesquisa, e a propósito, também, da definição de Inquisição: «(...) A inquisição surge como uma instituição muito complexa, com objectivos ideológicos, económicos e sociais, consciente e inconscientemente expressos. A sua actividade, rigor e coerência variavam consoante as épocas.» - Tão amplo este conceito, tão actual, afinal. E esta, a que vivemos, é, apenas, outra época.


Clicar, por favor, em professor de filosofia.



Aqui , via Contra Capa.

terça-feira, 3 de julho de 2007

nostalgia...

Criança
Xenia

um momento

era uma daquelas viagens que tinha de repetir todos os anos. já passara tanto tempo e ainda assim tinha esperança de voltar a encontrá-la.
as memórias pregam-nos destas partidas. esquecemos por tanto tempo factos que gostaríamos de perder para sempre e, de repente, eles surgem como se o dia do acontecimento tivesse sido ontem.
estávamos em agosto. era a festa da aldeia. nunca gostara muito daquelas actividades, mas...como a avó me pedia, por lá andava, sempre com um sorriso nos lábios a mostrar a minha alegria que só eu sabia fingida.
era o fim da tarde. as ruas estavam quase vazias, já se cheirava o frescor da noite.
e eu ainda vagueava por ali.
aquela hora até que me era agradável.
subi a rua que ia dar ao coreto. o centro da festa, onde os músicos iriam tocar toda a noite para embalar as almas nos sonhos.
quando já me preparava para regressar a casa, decidido a não voltar ali, naquela noite...reparei nela.
estava sentada nas escadas do coreto.
era alta, esguia. cabelos e olhos pretos. pelo menos foi sempre assim que a imaginei.
os cabelos soltos esvoaçavam ao sabor da brisa. aproximei-me.
não a conhecia. como estávamos "em festa", escondi a minha timidez, e perguntei-lhe quem era. olhou para mim. sorriu e manteve-se em silêncio, fixando o olhar num ponto qualquer da aldeia.
insisti que me dissesse quem era.
estava preso àquela escada. e agora não queria sair dali. ela, então, silenciosamente, levantou-se, olhou-me e disse que me diria à noite. que me esperaria ali, naquelas escadas, e que dançaria comigo a noite toda.
e foi-se embora.
eu fiquei parado. não consegui mover-me.
devem ter passado mais de vinte minutos...entretanto, tocou o sino da igreja a anunciar a hora que eu sabia ser a do jantar.
corri para casa da avó.
já depois do jantar, e como era habitual, sentei-me a ver televisão à espera que a avó lavasse a loiça. só então iríamos os dois, de novo, até ao centro da aldeia ver a festa.
como estava ansioso pelo tal encontro...acabei por fechar os olhos a sonhar...
quando os voltei a abrir, o silêncio já tomara conta da casa da avó e da festa lá fora.
ainda saí a correr até ao coreto...
mas já estava vazio.
não encontrei ninguém.
as ruas vazias.
nada.
só eu.
o tempo passou e eu vivi a minha vida. esquecido daquele momento, no dia-a-dia, e, no entanto, todos os anos, em agosto, lá volto.
um dia, hei-de encontrá-la. alta, esguia, cabelos e olhos pretos.
um dia...

12.junho.2006

domingo, 1 de julho de 2007


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porque não?!