segunda-feira, 25 de junho de 2007



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por Hesíodo, Trabalhos e Dias, (fim do séc. VII a.C)


(...)

Agora é a raça de ferro. Nem cessam, de dia,
de ter trabalhos e aflições, nem, de noite, de serem consumidos,
pelos duros cuidados que lhes oferecem os deuses.
Mas, no entanto, algum bem será misturado aos seus males.
Zeus aniquilará também esta raça de homens dotados de voz,
quando eles, ao nascer, tiverem as fontes grisalhas.
Então o pai não será igual aos filhos, nem estes a ele,
nem o hóspede ao hospedeiro, o amigo ao amigo,
não haverá amor entre irmãos, como era antigamente.
Aos pais, logo que envelheçam, eles os desonrarão.
Insultá-los-ão com palavras duras,
malvados, que nem conhecem o castigo divino!
E aos pais já idosos não oferecerão alimento.
Não mais terá valor um juramento, a justiça,
ou o bem; honrarão antes o criminoso e o insolente.
A justiça será a violência, e a vergonha não existirá.
O mau há-de prejudicar o que é melhor do que ele,
atirando-lhe palavras tortuosas, e jurando sobre elas.

(...)

(trad. de Maria Helena da Rocha Pereira, Helade)

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Depois de uma leitura pelos jornais de hoje, lembrei-me desta passagem de Hesíodo, que, além de poeta, seria, provavelmente, pelo texto / actualidade, um profeta.

2 comentários:

Alien8 disse...

Cem por cento de acordo. Subscrevo. Solidarizo-me. "Carpo". Mesmo metacarpo. Enfim, já deu para perceber :)))

Boa semana e um beijo.

P.S.: Tens por lá outra história (de Coimbra?).

Rosalina disse...

É, Alien. Há momentos em que só me apetece ler os clássicos. Está tudo lá.


Já lá estive e era mesmo assim, ainda que não fosse frequentadora assídua daquele espaço, talvez porque fosse mesmo como o descreves: um espaço para dois...Eu sempre fui mais do tipo bicho do mato. Ia parar muitas vezes, depois da Associação fechar, ao que está ao lado. E adorei aquela referência às mesas cheias de garrafas. ahahahahahahhahha...Essa é uma das memórias que fica sempre a quem por lá andou. :)