domingo, 9 de novembro de 2008

XIII Congresso Distrital do PS de Coimbra
José Sócrates lamenta “oportunismo político” da oposição na avaliação dos professores
09.11.2008 - 14h32 Lusa
O secretário-geral do PS, José Sócrates, lamentou hoje, em Coimbra, o “oportunismo político” dos partidos da oposição, sobretudo do PSD, nas reacções à manifestação de dezenas de milhares de professores sábado em Lisboa, contra o processo de avaliação.

Intervindo no XIII Congresso Distrital do PS de Coimbra, José Sócrates considerou “lamentável o oportunismo dos partidos”, que “devem servir para defender o interesse do geral do país e não para se colarem a reivindicações corporativas na esperança de ganhar uns míseros votos”.

“Os partidos da oposição sem tema e sem discurso andam à procura é de qualquer manifestação ou descontentamento para então poderem liderar. O que ficou visível foi que os partidos fizeram um lamentável aproveitamento político da manifestação”, criticou o dirigente socialista e líder do Governo.

“Já não esperava nada dos partidos à nossa esquerda, que têm a habitual estratégia do protesto. Mas que o principal partido da oposição, que ainda há uns meses atrás aquando da outra manifestação dizia ao PS que se recuasse era um vergonha, venha agora dizer que o Governo deve recuar...”, enfatizou José Sócrates, bastante aplaudido pelos congressistas.

Avaliação de professores "é essencial"

Salientando que o Governo se mantém firme para “defender o interesse nacional”, o secretário-geral do PS afirmou que a “avaliação de professores é essencial para que [se possa] garantir um sistema justo e também uma escola pública de qualidade que se orgulhe dos seus professores”.

“O que é que o maior partido da oposição quer? Que o Governo desista da avaliação, que voltemos à situação da promoção automática, à situação em que os professores são todos iguais, não é possível distingui-los”, interrogou.

“Tenho a certeza que todos compreendem que o pior que existia em Portugal era o sistema que se baseava apenas na promoção automática”, sublinhou, convicto de que “o perfil da situação social dos professores será melhorado quando os portugueses souberem que, tal como outros profissionais, também eles são avaliados”. Para José Sócrates, o modelo de avaliação é “acto de justiça e de reconhecimento”.

Sindicatos acusados de não “honrarem” acordo

Na sua intervenção, o líder socialista não poupou também os sindicatos de professores, a quem acusou de não respeitaram o memorando de entendimento assinado este ano com o Ministério da Educação. “O que eu pergunto é se será pedir demais aos sindicatos que cumpram este acordo, que honrem a palavra que deram, a assinatura que puseram neste memorando”, questionou Sócrates, exibindo o documento perante o congresso.

Insistindo no assunto, questionou ainda se “será possível o Governo fazer um entendimento com os sindicatos e passados uns meses uma das partes pôr em causa aquilo que assinou”.

“Será que é isso que a sociedade portuguesa deseja, isso honra essa parte? Pior ainda é que chegamos à conclusão que alguém assinou com intenção de não cumprir”, acrescentou Sócrates, referindo que o país precisa de “entendimentos, de negociações e de compromissos, que são para ser honrados”.

Durante o seu discurso, várias vezes interrompido com salvas de palmas, o secretário-geral do PS adiantou que existem já 20 mil professores avaliados, tendo 1400 sido considerados “muito bons e excelentes”.

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E eu lamento, Sr. Primeiro Ministro, ter votado no PS.

Tudo o que declara sobre educação é revelador de uma ignorância total sobre o que se passa nas Escolas.

Pergunto-lhe o que será mais correcto: progredir na carreira, segundo diz, automaticamente ou ser avaliado por quem nunca foi?

Acha isso justo? Correcto?

Na minha escola não há um único professor titular que tenha competência para me avaliar. Nenhum professor tem mais experiência que eu na disciplina/nível de ensino que lecciono.

E o Senhor acha que eu me devo submeter a essa avaliação?

Julga que todos tiraram cursos enviando trabalhos por fax?

Há quem o tenha feito.

Mas eu sei o que é ser avaliado. E, garanto-lhe que nada tem a ver com aquilo que este modelo preconiza.

Quer dar credibilidade a este modelo? Avalie, primeiro, os avaliadores.

Dê-lhes credibilidade. Forme-os.

Depois veremos se são capazes. Porque agora, seguramente, não são.


4 comentários:

Alien8 disse...

Eu não lamento, Rosalina, porque não votei no PS. Se é que isso existe.

Os sindicatos não prestam. A oposição à esquerda não presta. A oposição à direita não presta.

Os professores devem ser rapidamente transformados em burocratas, talvez mesmo em "bufos", não é, Sr. Engenheiro?

Não sei se conhece a palavra "autismo". Ou a palavra "arrogância". Ou a palavra "avaliar". Ou a palavra, simplesmente.

Bem observado, Rosalina. Cem por cento de acordo.

Um beijo.

Teresa Durães disse...

Esta história do método de avaliação é uma vergonmha completa. Até a minha irmã que está a leccionar na Alemanha através do estado português é obrigada (e a tirar fotografias, preencher um rol de papelada para comprovar tudo)

Rosalina disse...

Cada vez, alien, tenho mais a certeza que o tal senhor não conhece nenhuma dessas palavras. Cada vez mais a certeza é maior.

Rosalina disse...

É verdade, Teresa, todas as histórias que andam à volta do modelo de avaliação que esta gente preconiza é uma aberração.