Hoje, li este poema e apeteceu-me uma ousadia.
Ei-la: Entre o verde e a brisa
sábado, 28 de abril de 2012
quarta-feira, 18 de abril de 2012
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Bia e o seu bosque encantado
De vez em quando cruzo-me com (ex)alunos na rua. Sorrimos, dizimos olá e continuamos o nosso caminho. Aliás, essa é uma (boa) sensação que tenho frequentemente: os ex-alunos não me evitam. E, por isso, nessas circunstâncias, sinto, quase sempre, que a missão foi cumprida, na sua componente humana, também.
Mas, de vez em em quando, recebo um pouco mais que um sorriso e além de missão cumprida, sinto-me feliz. Na passada semana, aconteceu um desses momentos. A Carolina e a Daniela foram minhas alunas durante três anos. Quer dizer,
a Daniela foi durante quatro... Depois fizeram o 9ºAno e foram embora. Foi um ciclo que terminou, no ano passado.
Foram à escola, na 4ª-feira passada, "matar" saudades do espaço, funcionários e professores. Fui uma das professores com quem falaram. Estivemos à conversa, na mesma sala onde costumávamos ter aulas. E recordámos episódios giros, colegas e também foram partilhando as experiências do curso que estão a fazer. Optaram pela via profissionalizante e estão a frequentar o Curso Profissional de Técnico de Apoio à Infância, na Escola Secundária da Lourinhã. No meio da conversa sobre aquilo que estavam a aprender e a fazer, quiseram mostrar-me um texto que ambas tinham feito para um trabalho.
Foram à escola, na 4ª-feira passada, "matar" saudades do espaço, funcionários e professores. Fui uma das professores com quem falaram. Estivemos à conversa, na mesma sala onde costumávamos ter aulas. E recordámos episódios giros, colegas e também foram partilhando as experiências do curso que estão a fazer. Optaram pela via profissionalizante e estão a frequentar o Curso Profissional de Técnico de Apoio à Infância, na Escola Secundária da Lourinhã. No meio da conversa sobre aquilo que estavam a aprender e a fazer, quiseram mostrar-me um texto que ambas tinham feito para um trabalho.
Era um conto. A história da Bia e do seu bosque encantado, ilustrado por elas próprias. Foi muito bonito ver o orgulho com que me mostraram aquele trabalho. Gostei. Gostei mesmo muito! Da história, dos desenhos, do momento, da atenção, da conversa, do carinho.
Pedi-lhes licença para publicar, partilhando, o seu trabalho e este outro lado que nem sempre é possível dar a conhecer.
Deram-na. Aqui está.
Deram-na. Aqui está.
Obrigada, Carolina e Daniela.
segunda-feira, 19 de março de 2012
Vontades que espreitam
Às vezes, guardamos vontades. E não as gastamos. Ficam, à espreita, misturam-se com outras fantasias e, com o tempo, transformam-se. Tornam-se outras. E voltam a ser vontades que espreitam noutras fantasias.
Foto: Ana Luz Pignatelli
sexta-feira, 16 de março de 2012
Cai a noite...
cai a noite e eu, sentada, vejo a última volta dos carros que vão. encosto-me à parede. fecho os olhos. terminou o dia. a noite entra. devagar, paulatinamente... um convite à serenidade, ao usufruto do silêncio de outro dia que entra em repouso. e respiro.
foto: Luís Macedo Tavares
sexta-feira, 9 de março de 2012
Já não é o dia da mulher...
Atrasei-me. Ou melhor, distraí-me. Mas encontrei, nessa distração, a foto do lado esquerdo. E, de manhã, no Facebook, li estas palavras de Pompeia Castro:
"Ainda há bem poucos anos as mulheres que proclamavam a igualdade de género eram apelidadas de histéricas. Também não gosto do dia disto e daquilo, mas não concordo com a sobranceria das novas gerações femininas. Nada está adquirido [...]. A condição feminina ainda é um fardo em grande parte do planeta."
Achei que o conjunto tinha de ser "oferecido" ao dia, o da mulher. E aqui está. Para hoje, também, bom dia da mulher!
Foto de Luis Macedo Tavares
sábado, 3 de março de 2012
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Alguém
Alguém me diga mais, alguém me ofereça
O silêncio em madeira trabalhada;
Alguém me mostre a ponte que atravessa
Os rios que vão dar à madrugada.
Alguém, sem telefonar a ver se estou,
Me toque à campainha da loucura
P'ra me contar a história do que sou,
Ponto por ponto, em filme de aventura.
Alguém me invente um semáforo do medo,
Alguém me explique esta cidade estranha
Onde em cada jardim mora um segredo
E em cada apartamento há uma montanha.
E à noite, quando as sombras são mais frias
E os fantasmas desenham a ilusão,
Ria de mim, das minhas fantasias
E dê a sua voz à minha mão.
(O Despertar dos Verbos, Edium Editores)
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Alma de jornalista
Diz Manuel António Pina, numa entrevista ao i: "Uma coisa que eu aprendi no jornalismo é a humildade. Se conhece
escritores, sabe que normalmente são tipos que acham que é fundamental
aquilo que escrevem. No caso do jornalismo, como sabemos que aquilo que
escrevemos no dia seguinte está a
embrulhar o peixe, não é assim. No jornalismo aprendi essa humildade
fundamental. Tenho de escrever, nas minhas crónicas, 1400 caracteres, o
morto à medida do caixão – agora tenho-lhes metido o IVA, como aumentou,
escrevo 1420. E meti-lhe o IVA baixo. Depois de escrevermos uma coisa, o
coordenador corta e altera o título. O jornalismo é um trabalho
colectivo. Isso dá-nos uma grande modéstia. O Luiz Pacheco dizia que
daqui a cem anos ninguém se lembra. Qual daqui a cem anos... Mesmo na
altura já ninguém se lembra. Os escritores têm muita dificuldade em
aceitar que tudo acaba por se esquecer. Tudo tende para o esquecimento.
Mas há mais relações, o jornalista aprende com o escritor o respeito
pelas palavras, sabendo que há palavras que se dão com as outras, e
outras não. Não calcula o tempo que demoro a escrever aquela merda com
1400 caracteres. Leio aquilo tantas vezes... Volto atrás e vou para a
frente. Só a trabalheira de arranjar assunto. Eu espontaneamente só
tenho opinião uma vez por ano, agora tenho de ter todos os dias porque
ganho a vida assim. Nunca leio o que escrevi no dia seguinte, porque se o
faço fico completamente frustrado."
Destaquei este excerto, pela importância que todos os dias dou à escrita, mas toda a entrevista deve ser lida. Vale a pena a lucidez. E a história contada a propósito de Sampaio é deliciosa! Claro que eu nunca daria àquela entrevista o título que lhe deu o jornalista. Mas eu não sou jornalista.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Dádiva
é uma dádiva.
e todos os dias o imagino ali. e todos à espera: os pombos e ele. o momento da dádiva, pleno e cheio de generosidade.
(foto de: Luis Macedo Tavares)
Os encantos do Facebook
Transcrevo para aqui um desabafo efetuado no Facebook, no dia 7 de Fevereiro.
Na Internet tudo é efémero, ainda que tudo deixe também a sua marca. No facebook, a sensação que tenho é a de que as palavras rapidamente são esquecidas. Aqui (blog), as "coisas" ficam guardadas. E estas palavras quero-as dessa forma:
Um dos encantos que encontro no Facebook é o facto de me permitir
desabafar, formulando raciocínios, tipo interrogações retóricas, que
poderão ou não ter algum feedback, mas que sei que alguém vai ler mesmo
que sejam pessoas com as quais não me cruze no mundo real. E pode haver
interação ou apenas um gosto de alguém que mostrou entender-me e que
comigo partilha o desabafo ou alguém que o discute comigo, dando-me a conhecer outra perspetiva.
Eu gosto disso! Ora o que me traz aqui é uma incoerência. Pelo menos do meu ponto de vista.
Eu sou professora de Língua Portuguesa. Do programa, faz parte um conteúdo, no âmbito do estudo de modelos de escrita: a ata. Quando se trabalha esta matéria, são apresentadas aos alunos a definição e estrutura de ata. Ou seja, informa-se os alunos que a ata é um tipo de texto que deve registar, resumidamente, as ocorrências , deliberações, resoluções e decisões das reuniões. Deve constar, inicialmente, uma ordem de trabalhos que deve ser respeitada. Ou seja, a ata é uma espécie de "radiografia" do que se passa numa reunião. É designando um secretário que é o responsável pela redação do texto que deve ser aprovada pelos participantes na reunião. Eu "ensino" isso aos alunos e costumo, geralmente no 9º Ano, a partir de reuniões que os alunos têm de fazer para a realização de trabalhos, pedir que façam atas. Textos com uma estrutura própria, mas textos construídos por eles.
Ora, agora, nas escolas, a moda é criar modelos "fixos" de atas. Ou seja, formalizam-se documentos de preenchimento e o que o secretário tem de fazer é preencher aquilo. Mas depois assina como tendo sido ele o autor do texto.
Claro que muitos acharão este desabafo um perfeito disparate. Um preciosismo da minha parte.
Mas faz algum sentido, na mesma escola onde explico aos alunos que ata deve ser assim, depois ser "obrigada" a preencher um documento? Que se assuma que é da responsabilidade do diretor de turma o preenchimento do formulário. Porque, para um professor de Língua Portuguesa, fazer aquilo a que se chama ata, nestas circunstâncias, é uma incongruência. Tem de ser. Para além de que quem preenche o formulário assume a autoria de um texto que não é seu.
Eu gosto disso! Ora o que me traz aqui é uma incoerência. Pelo menos do meu ponto de vista.
Eu sou professora de Língua Portuguesa. Do programa, faz parte um conteúdo, no âmbito do estudo de modelos de escrita: a ata. Quando se trabalha esta matéria, são apresentadas aos alunos a definição e estrutura de ata. Ou seja, informa-se os alunos que a ata é um tipo de texto que deve registar, resumidamente, as ocorrências , deliberações, resoluções e decisões das reuniões. Deve constar, inicialmente, uma ordem de trabalhos que deve ser respeitada. Ou seja, a ata é uma espécie de "radiografia" do que se passa numa reunião. É designando um secretário que é o responsável pela redação do texto que deve ser aprovada pelos participantes na reunião. Eu "ensino" isso aos alunos e costumo, geralmente no 9º Ano, a partir de reuniões que os alunos têm de fazer para a realização de trabalhos, pedir que façam atas. Textos com uma estrutura própria, mas textos construídos por eles.
Ora, agora, nas escolas, a moda é criar modelos "fixos" de atas. Ou seja, formalizam-se documentos de preenchimento e o que o secretário tem de fazer é preencher aquilo. Mas depois assina como tendo sido ele o autor do texto.
Claro que muitos acharão este desabafo um perfeito disparate. Um preciosismo da minha parte.
Mas faz algum sentido, na mesma escola onde explico aos alunos que ata deve ser assim, depois ser "obrigada" a preencher um documento? Que se assuma que é da responsabilidade do diretor de turma o preenchimento do formulário. Porque, para um professor de Língua Portuguesa, fazer aquilo a que se chama ata, nestas circunstâncias, é uma incongruência. Tem de ser. Para além de que quem preenche o formulário assume a autoria de um texto que não é seu.
Pronto, desabafei.
sábado, 7 de janeiro de 2012
9 de dezembro
No ano que acabou ainda há tão poucos dias, esqueci-me de mim aqui. Neste espaço que já foi tão meu e que agora vou deixando quase ao abandono...
Mas esqueci-me.
Lembrei-me, hoje. Talvez seja um recomeço. Talvez. Veremos. Aqui fica a marca, já em 2012, do dia 9 de dezembro de 2011.
Agradeço uma vez mais com a rosa, desta vez quase branca, o dia que marca a minha existência. Obrigada.
Mas esqueci-me.
Lembrei-me, hoje. Talvez seja um recomeço. Talvez. Veremos. Aqui fica a marca, já em 2012, do dia 9 de dezembro de 2011.
Agradeço uma vez mais com a rosa, desta vez quase branca, o dia que marca a minha existência. Obrigada.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Este país não é para velhos
Hoje li, vi e ouvi muita 'coisa' no Facebook. Algumas comentei, outras discuti, outras partilhei. Outras houve a que não liguei e ainda temos aqueles casos de que Gostei (apenas...).
Neste momento, se for ao meu mural, já não são essas 'coisas' que estão lá visíveis. Teria que ir ao meu perfil e procurar no fundo da página por elas. Algumas já estarão quase, quase a pertencer às publicações antigas. E depois, muito rapidamente, passarão a pertencer ao Arquivo do Facebook que eu não irei consultar porque, às tantas, já não tenho tempo nem memória para isso.
Mas há partilhas que se fazem ali que eu gostava de guardar e de poder consultar, em minutos, sem ter de calcorrear murais ou perfis. E, por isso, hoje aqui estou. Também para publicar, também de forma efémera. Também "carpe diem", e, no entanto, com a possibilidade de guardar como quero e onde. O blog dá-me essa liberdade.
O que passarei de imediato a transcrever foi escrito por um amigo, no Facebook. Partilhou com os seus amigos um momento do seu dia. Foi uma lição de vidas. Umas horas antes, outro amigo partilhou esta maravilha. Juntei os dois e aconteceu este post. Sugiro a leitura do texto que se segue ao som de The Cinematic Orchestra - That Home.
Hoje vi isso. Como sabem, almoço numa cantina a preço módico. Trata-se de uma associação de trabalhadores, de um certo ministério que tem uma cantina. Celebrou protocolos que permitem que outras pessoas, como eu, lá vão almoçar. Pessoas no activo e reformadas de vários ministérios.
Alguns reformados são extremamente chatos, sempre com implicações e complicações, já meio perdidos nos seus pensamentos e de pouca ligação ao mundo. Vão com as suas sacas, pedem mais arroz ou menos couve, sempre chatos mas simpáticos, quando algum de nós, dos novos, fala com eles. Pagam muito pouco pela refeição, perto de 2 euros, suponho. Alguns precisarão daquela comida a esse preço, outros poderiam pagar mais, não sei ao certo. Mais importante é que aqueles ginjas chatos, que só fazem a fila atrasar e que originam que eu diga serem as empregadas especialistas de geriatria com a paciência que têm com aquelas criaturas insuportáveis, com os seus oitenta e tal anos alguns, bengalas e mãos a tremer que entornam sopa no chão, têm aquela rotina, aquela ligação ao mundo, uma vez por dia. Quem já lidou com velhos sabe como a rotina é importante para eles e que se é quebrada se instala o caos.
Hoje, na fila para comprar a senha, ouvi a senhora que vendia avisar uns reformados "Hoje é o último dia. A partir de sexta-feira só podem comer aqui os reformados deste ministério. A Segurança Social não dá mais dinheiro." .
Já tinha ouvido zunzuns há uns tempos, esperava até ser eu excluído, mas não. Foram os velhos de outros ministérios.
O almoço estava bom mas soube-me a amargo. Vou almoçar mais à vontade, não demorarei tanto tempo na fila, não deixarei passar gente à frente só para não ficar ao lado de alguns como a velha da trança que parece eléctrica e anda para trás e para a frente, mas olhei pelas mesas e pensei "Quantos vão estar mortos daqui a dois-três meses? Que ao menos os deixem comer aqui, mesmo pagando um preço normal".
Eu sei como são os velhos. Hoje mataram alguns.
segunda-feira, 21 de março de 2011
momento fantástico

fúria. muita fúria e luta. o mar que enrola a areia, a sacode e atira de volta nas ondas que voltam e se enrolam de novo na espuma das ondas.
e depois bate no paredão do farol. com força. estala. e, de repente, ao longe, a linha do horizonte que separa. que torna azul a passagem. e com ela vem a calma, a paz, no voo estranho de uma gaivota. é o sossego.
(Foto: Luís Tavares)
sábado, 19 de março de 2011
"Sinais da primavera"
já era de manhã. saiu de casa, mesmo estando o céu quase cinzento de chuva.
podia ser que não chovesse, mas , se acontecesse, seria a forma de poder lavar a alma. sim, a sua avó contara-lhe que só a água da chuva o conseguia fazer e já não sentia essa pureza há tanto tempo...
por isso, pela chuva que podia vir, pelo ar fresco da manhã, pela avó, pelos campos, pelas flores que via e tinha vontade de colher, saiu.
sentiam-se já os "sinais da primavera".
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