domingo, 31 de dezembro de 2006

está a ser uma tarde complicada...decidir a toilette não está a ser fácil...

vou logo assim?!...

assim...



...ou, mais discreta?!














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ehehehhehe...

boas entradas!


que seja este, então, o último dia do ano: uma flor.

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(imagem: ...apenas isto...uma flor..., de Marco Fernandes)

sábado, 30 de dezembro de 2006

nota final...

Noticias atrasadas
Enrique Brinkmann

à conversa com as palavras de outros...

Tenho um hábito terrível...Gosto de conversar com as palavras escritas dos outros.
Calmamente, sem ter de esperar pela resposta, uma vez que na comunicação escrita ela nunca é imediata. Gosto de digerir os textos dos outros, se quiserem...

E hoje apeteceu-me conversar com o editorial de João Morgado Fernandes do DN online .
Finda a primeira leitura, fiquei com a nítida sensação que alguém tinha descoberto algo de novo. E mais, que essa descoberta seria crucial para a minha vida!!!
Portanto, tive de reler.
De facto, manteve-se essa sensação de descoberta, mas, numa segunda leitura, ficou-me, também, um sorriso simpático, quase condescendente, nos lábios: alguém tinha chegado a uma conclusão. E alguém sentira que estava a perder o poder.

Alerta-nos, então, João Morgado Fernandes para aquilo que designa como "um dos equívocos mais perigosos dos tempos que correm", a saber, a associação implícita da "web 2.0 e a democracia, ou melhor, o aperfeiçoamento da democracia".
Aqui, permitam-me, uma dúvida quase existencial: Que quererá dizer o autor com "o aperfeiçoamento da democracia"?!...

Depois, dum poderosíssimo nós, em que todos somos controladores da Era da Informação, passa, logo de seguida, a ser usada uma terceira pessoa muito impessoal, excessivamente. Isto é, enquanto se fala no controlo da informação, os jornalistas, fazem parte do grupo. Serão, aliás, eles, talvez..., que até agora tenham controlado a informação ao sabor dos sucessivos poderes políticos. Mas, quando o novo fenómeno inquietante ganha relevo, então, já não se usa a palavra 'controlador', mas sim 'utilizador', sendo que o nós de controlador passa, sub-repticiamente, a um eles/ele de utilizador(es).
A frase "Mas a actual febre participativa só parcialmente pode ser confundida com democracia." está imbuída dum autoritarismo gritante!
Claro que o início das coisas é sempre apaixonante e as pessoas, quando envolvidas, se sentem entusiasmadas e cometem, frequentemente, excessos. Contudo, afirmar que participar, mesmo que seja com febre..., não é viver em democracia, é, no mínimo, abusivo.
As democracias nascem com a participação dos cidadãos, das pessoas.
Mantendo a tal 3º pessoa impessoal, numa escrita distante, quase fria, no quarto parágrafo, ficamos a saber que a web 2.0 é "um espelho dos desequilíbrios existentes". Portanto, os seus utilizadores serão, poderemos concluir, uns desequilibrados (nós).
Ora, esta acusação, ainda que velada, é grave.

De seguida, discursa-se sobre o poder político na Net. Tentando explicar-se, quanto a mim, de forma muito primária, que quem detém o poder fora da Net é quem detém o poder na NEt. Isto é, também na net, haverá os pobres e os ricos. Os que mandam e os que obedecem.
Tenho as minhas dúvidas, sobre essa leitura tão linear...

O 5º parágrafo inicia com uma frase que cito na íntegra, dada a sua requintada construção sintáctica e vocabular: "Outra debilidade da Net enquanto instrumento de participação cívica tem a ver com a extraordinária disseminação, espacial e não só, dos seus agentes, o que a transforma numa interessante babel, mas igualmente num inoperante e até perigoso monstro." Fica-se com a impressão de que a net é, afinal, um vírus que se dissemina a uma velocidade contagiante, sem permitir a descoberta do antídoto. Explora-se aqui a questão da falta de civismo. Bem, talvez aqui fosse oportuno usar a tal imagem da net como um "espelho" do mundo real e tudo seria mais fácil de explicar.

De novo, no penúltimo parágrafo, se faz uso de linguagem abusiva. O que não abona nada a favor do autor do texto, quando precisamente no parágrafo anterior alerta para o desrespeito das "regras de conduta". A net "do ponto de vista meramente quantitativo" é, e continuo a citar, " um amontoado de lixo". Sendo que aquilo que aqui estou a fazer, neste momento, "não quer dizer que tenha, necessariamente, algo de útil a dizer à comunidade".
Fazendo minhas as palavras de João Morgado Fernandes , direi, creio que, neste caso, pertinentemente: "Digamos que o mundo virtual ainda não encontrou o seu paradigma civilizacional."

Por último, faz-se referência ao potencial da Net, sublinhando-se, contudo, a necessidade de estabelecer limites. E, diabolicamente, direi eu..., usa-se, novamente, a primeira pessoa do plural, como se fosse à imprensa que coubesse a função de estabelecer as regras, os limites.

Graças a Deus que eu e outros como eu temos consciência deste "poderosíssimo instrumento ao nosso dispor" e que estamos conscientes dos seus limites.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

nota final...

Esverdeado
António Abagorro
...e estarmos a dois dias de 1 de janeiro de 2007 significa o quê, afinal?!...















EXPLICAÇÃO

Os professores não fazem parte da população.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

nota final...
Brassai
- É chegado o momento. Vais acreditar...Vou-te convencer da grandeza sobrehumana do meu amor!...Escuta-me: não se ama uma velha...uma criatura enferma...uma criatura disforme...O amor que devia ser um sentimento todo da alma, é um sentimento só dos sentidos. Ama-se porque é bom amar...esvairmo-nos na derramação de um líquido peganhento...asqueroso...o amor é uma distracção...como o teatro...como as festas de igreja...Ama-se uma mulher porque ela é linda...por causa dos seus cabelos, dos seus olhos, da sua boca...de todo o seu corpo...Pode-se amar uma mulher feia pelos seus vícios estonteantes, perversos...Ah! mas ninguém ama um corpo sem fogo, um corpo de carne mole e repugnante; ninguém beija um rosto sem nariz...uns olhos cegos, uns lábios contraídos na crispação de uma ferida mal cicatrizada...Pois bem! Fosses tu cega, fosse o teu corpo todo uma chaga e eu amar-te-ia com o mesmo amor...com mais amor!...Sim! Marcela, eu amo-te acima de tudo!...Ah! eu gosto dos teus beijos...da tua carne...gosto de enlaçar as minhas pernas nas tuas...Mas isso que vale?! O que amo, é a tua alma e essa, seja feio o corpo, será sempre bela...amá-la-ei sempre...sempre...sempre!...Não me acreditas...não crês o meu amor tão forte...Vou-te provar que não minto...Vou-te dar a maior prova de amor...Beija-me...dá-me a tua boca...preciso de coragem...de muita coragem...Ouve-me, compreende-me, e não tenhas medo: Vou despedaçar a obra-prima do teu rosto...torná-lo uma cicatriz hedionda, onde não se conheçam as feições...sem olhos...sem lábios...Vou queimar os teus seios...sujar para sempre a brancura imaculada da tua carne...E assim, um monstro repelente, continuarei a amar-te, amar-te-ei muito mais, porque todo o tempo será para ver a tua alma...a tua querida almazinha...Não tenhas medo...não grites...não grites...Vais ser muito feliz...Vamos ser muito felizes...De hoje em diante, nenhuma nuvem obscurecerá o céu azul da nossa vida...Já não recearei o tempo...o Tempo não envelhece um corpo chagado...a morte não o desfeia...Que os anos passem...que venha a morte...Nada nos importará...nada...Vês...vês como vamos ser venturosos?...
E, numa alucinação, num delírio de loucura, correu a uma prateleira...pegou num frasco...
Marcela, terrorizada, ainda sem perceber, tentava fugir, encontrar uma saída, chorava e gritava...
Raul, pondo-se em frente da porta, bradou:
- Não fujas...não chores...Isto é vitríolo...vou-to lançar ao rosto...espalhá-lo pelo teu corpo...Vou-te matar o corpo para dar mais vida à alma...vou-te dar a eternidade...fazes parar o tempo...Espera...não grites...não tenhas medo...nem faz doer...nem faz doer...E mesmo que fizesse...É para seres feliz...muito feliz...
A desventurada fugia diante dele num grande desvairamento. Raul, por fim, agarrou-a. Preparava-se para lhe atirar o líquido, exclamando enraivecido:
- Miserável! És como as outras...Gostas de ser bonita...Gostas de excitar os homens...Devassa...Devassa!...vou escangalhar toda a tua beleza...vais ficar horrorosa...Todos fugirão de ti...ninguém te quererá...mas eu quero-te...quero-te...Meu amor...Meu amor!...
Marcela, num arranco supremo, cravou os dentes na mão que empunhava o frasco. A dor foi tão forte que Raul o largou. Caiu no sobrado, porém não se quebrou nem se desrolhou.
Marcela pôde então ganhar a saída, fugir.
O escultor, como que pregado ao solo, não passou a porta. Com os olhos desmesuradamente abertos e os cabelos em pé, olhava como um sonâmbulo para o corredor por onde Marcela tinha desaparecido...ouvia os seus gritos alucinantes...
Com todo este ruído, os criados desceram de tropel. Sentindo os passos, Raul saiu da sua abstracção; ululou um uivo despedaçador...apanhou o frasco...emborcou-o...bebeu dum trago todo o seu conteúdo.
Quando os criados entraram no atelier, viram-no contorcido no estertor de uma agonia horrível, convulcionado nas dores cruciantes do seu peito, dos seus intestinos queimados, arrepanhados pelo líquido corrosivo...
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Marcela esteve à morte com uma febre cerebral, receou-se pela sua razão. Hoje é feliz. Refez a sua vida; tornou a casar, é mãe de dois lindos gémeos. Vive em Roma. O seu marido é o primeiro secretário da nossa legação.
Ela foi sempre uma criança. As crianças esquecem tudo...depressa...
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Cheguei ao fim. Não consegui explicar o inexplicável, tenho a certeza. Por isso mesmo me abstenho de tirar conclusões. Quem ler o escrito que as tire, se quiser. Peço unicamente que antes de exclamarem: - «Raul Vilar foi um doido...que conclusões tirar da loucura?...?» - meditem um pouco em tudo quanto leram.
Por mim, apenas digo:
Raul horrorizava-se com o Tempo. Era uma das suas obsessões mais características. Ah! na realidade, como é desolador pensar-se: «Hoje é o dia 26 de Junho de 1910 - nunca viverei outro dia igual a este, nunca mais farei o mesmo que fiz hoje...Um segundo não se repete em cem mil anos!...»
Raul queria provar o seu amor. Para isso decidiu praticar um crime. Todos o condenam, decerto. No entanto, o que ninguém pode negar é que a sua prova, embora dum egoísmo atroz, não fosse a mais concludente, a maior prova de amor, como lhe chamava. «Só se ama por interesse. Não se ama um corpo disforme». Ele possuía uma criatura ideal; pois bem, destruiria toda a sua beleza. O seu amor não diminuiria...pelo contrário: Morto o corpo, amaria a alma só com a sua alma.
Isto tudo são loucuras, sei perfeitamente. Apenas no cérebro dum doido podem nascer tais pensamentos. Nós, os «homens de juízo», não pensamos nessas coisas, não pensamos em muitas coisas e aceitámos a vida tal como ela é, tal como se convencionou que ela fosse; porque nos habituámos a ela. Raul não se habituou. Foi um desgraçado.
«É bem digno de compaixão esse pobre suicida» - concordam todos. Mesmo se tivesse sido um criminoso, eu diria:
- Peço não guardem da sua memória uma náusea, não clamem, desviando os olhos das duas estátuas - «Assassino!» - Lembrem-se: foi um louco. Tenham piedade...muita piedade desse desventurado. - «Era um doido» - proclamaram unanimemente.
Os doidos são irresponsáveis, diz o Código...
A loucura... A loucura...
Lisboa, maio-junho 1910
in Loucura, de Mário de Sá-Carneiro
Loucura? - Mas afinal o que vem a ser a loucura?...
Um enigma...Por isso mesmo é que às pessoas enigmáticas, incompreensíveis, se dá o nome de loucos...
Que a loucura, no fundo, é como tantas outras, uma questão de maioria. A vida é uma convenção: isto é vermelho, aquilo é branco, unicamente porque se determinou chamar à cor disto vermelho e à cor daquilo branco. A maior parte dos homens adoptou um sistema determinado de convenções: É gente de juízo...Pelo contrário, um número reduzido de indivíduos vê os objectos com outros olhos, chamas-lhes outros nomes, pensa de maneira diferente, encara a vida de modo diverso. Como estão em minoria...são doidos...
Se um dia porém a sorte favorecesse os loucos, se o seu número fosse superior e o génio da sua loucura idêntico, eles é que passariam a ser os ajuizados: Na terra dos cegos, quem tem olho é rei, diz o adágio: na terra dos doidos, quem tem juízo, é doido, concluo eu.
O meu amigo não pensava como todo a gente...Eu não o compreendia: chamava-lhe doido...
Eis tudo.
in Loucura, Mário de Sá-Carneiro
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Louco, adj. e s. Etimologia obscura, se bem que tenha sido já tentada por alguns outros, mas por caminhos diversos, todos inaceitáveis, incluindo o arábico.
(in Dicionário Etimológico)

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

nota final...
..
Alex Magedler


estas horas pardas do fim das tardes...

apetece-nos fazer tudo e o tempo já não permite.

a noite vem descendo. o sossego chama por nós e fica o sabor doce de não ter feito algo.

aquilo que fica para o dia seguinte. na manhã.

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(foto: fim de tarde, de Diafragma )

aquela escola...que saudades!!!

a escola estava escura. estava tudo muito escuro. mas o pedro entrou. aquela tinha sido a sua escola. fora lá que ele começara a ser aquilo que hoje era. e ele tinha prometido à sua antiga e simpática professora que havia de lá voltar. escolhera aquele dia ao acaso. e, ao acaso assistira ao funeral dessa grande dama.
uma lady!!...como pudera ter esquecido de responder às suas cartas!?...como poderia ser perdoado por nunca mais ter voltado!?...agora já era tarde. ao menos cumprira a promessa feita há tantos anos: voltar àquele lugar, para ele, quase sagrado...entrar por aquele portão, enferrujado e irritante, era entrar no seu envelhecido e já esquecido mundo de sonhos...
pareceu-lhe ouvir, de novo, os colegas de outrora a gritar, a rir; as meninas a jogar ao elástico ou à corda...os rapazes a jogar futebol, à apanhada...e, como na altura, o mundo lá fora parecia tão grande!!...
agora, era aquela escola, aquele recreio que se transformavam, aos olhos do mundo, num ponto simplesmente cinzento, triste, nublado, quase invisível.
sentou-se. os degraus estavam sujos. mas que importava: a sua mestra tinha desaparecido e a sua escola já não era escola.
sentiu algo a roçar-lhe as pernas. um gato: grande, olhos verdes, brilhantes, pêlo castanho e macio. apercebeu-se, então, da noite. quantas horas ali? não sabia. não importava. a escola estava escura e a amiga de outrora já não o podia chamar. naquele presente restava apenas a saudade.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

nota final...
t...TTT
Marcin Klepacki


a vida sem cinzentos.

agora ou nunca. não ou sim. sempre ou jamais.

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(foto: A vida a preto e branco, de Hélder Almeida)

Ulisses e Nausícaa


..........E logo proferiu estas palavras, doces e cativantes:
..........«Eu te suplico, princesa: és deusa ou és mortal?
..150. Se tu fores alguma deusa, das que habitam o vasto céu,
..........a Ártemis te comparo, à filha do grande Zeus,
..........pelo aspecto, a estatura e a forma!
..........Se acaso és mortal, das que habitam sobre a terra,
..........felizes mil vezes são teu pai e tua mãe venerável,
..155. felizes mil vezes os teus irmãos! Por tua causa o coração
......... se lhes inunda sempre de júbilo,
..........quando vêem entrar na dança este formoso rebento.
..........Mas feliz, mais que todos, em seu coração, aquele que vencer os demais
..........pela riqueza de seus dons, e te levar para sua casa!
..160.Jamais pus os olhos num mortal como tu,
..........fosse ele homem ou mulher! A tua vista infunde-me veneração.
.........Conheci outrora em Delos, junto do altar de Apolo, uma beleza assim:
.........um rebento de palmeira que se erguia nos ares.
.........Pois também já lá estive. Seguiam-me muitos homens
..165.pelo caminho, que havia de ser a minha perdição.
.........Assim como alegrei o meu coração ao contemplá-lo
.........por longo tempo, pois nunca lenho tão formoso saíra do solo,
.........assim eu te admiro, mulher, e me deslumbro; mas forte é o meu temor
.........de tocar nos teus joelhos. Grande é a aflição que me invade!
..170.Só ontem escapei do mar cor de vinho, passados vinte dias.
.........Tal foi o tempo que as ondas e procelas violentas me arrastaram
.........Para longe da ilha de Ogígia. E agora uma divindade me atirou para aqui
.........Para eu sofrer mais alguma desgraça. Pois não creio
.........que ela cesse. E quantas ainda me destinam os deuses!
..175.Amerceia-te de mim, princesa! Depois de muito sofrer,
.........a ti vim primeiro! Não conheço nenhum dos outros homens,
.........que habitam este país e esta terra.
.........Ensina-me onde é a cidade, dá-me uns farrapos para eu vestir,
.........se tens por aí o pano com que se fez a trouxa, ao vir para aqui.
..180.Que os deuses te concedam quanto o teu coração deseja,
.........um marido e um lar, e uma bela concórdia!
.........Não há nada melhor nem mais excelente
.........do que haver um lar onde marido e mulher
.........têm os mesmos pensamentos! É o desgosto dos inimigos,
..185.a felicidade dos amigos, e deles mais que ninguém.»
.........Por sua vez replicou-lhe Nausícaa de alvos braços:
.........«Estrangeiro, tu que não pareces mau nem insensato,
.........bem sabes que Zeus Olímpico reparte a felicidade entre os homens
.........bons e maus, dando a cada um o que lhe apraz.
..190.A ti deu-te essa desgraça: força é que a suportes.
.........E agora que chegaste à nossa cidade e à nossa terra,
.........não carecerás de roupa nem de mais coisa nenhuma,
.........que deve dar-se ao pobre suplicante que nos encontra.
.........Eu te indicarei a cidade, e te direi o nome do povo.
..195.São os Feaces que possuem esta cidade e esta terra.
.........Eu sou filha do magnânimo Alcínoo,
.........que detém o poder e a força dos Feaces.»


Odisseia, VI, 148-197

(in Helade, Antologia da Cultura Grega)
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ulisses, o homem dos mil artifícios, o eterno sedutor...
delicioso este momento.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

nota final...
...
Andy Warhol
portas fechadas?
não.
abram-se...






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(imagens: telas de Charles Hardaker)

boneca

lá longe, onde a neve não derrete porque não existe; onde o sol é quem aquece as casas no natal, recebi, há muitos anos atrás, a mais linda prenda natalícia. recordo-me como se fosse hoje da alegria com que descobri ser aquela pequena bonequinha para mim...
andara com a mãe, irmãos, amigas e filhos de amigas a fazer compras. no saco das da mãe constava aquela pretinha. gorducha, cabelos negros, compridos e despida. talvez a mãe a tivesse adquirido por me ter visto a olhar para ela. não sei. fiz desse momento uma das muitas fotografias de áfrica. outra entre tantas por mim carregadas até hoje!!...já lá vão alguns anos e ainda não me esqueci desses minutos de rara e estranha felicidade.
claro que não me atrevi a perguntar para quem era aquele tesouro, mas com que ansiedade esperei pela manhã de vinte e cinco de dezembro daquele ano! creio ter sido esse – o momento em que desembrulhei aquela prenda – um dos mais mágicos da minha meninice, e mesmo longe do frio, da chuva, da neve, da lareira, aquele foi o melhor natal de todos.
...e ainda trago comigo aquela boneca!