terça-feira, 19 de dezembro de 2006

nota final...
...
Garry Winogrand

O legislador


Ao povo dei situação que lhe baste,
....sem lhe tirar nem lhe arrebatar a honra.
Aos que tinham o poder e eram considerados pelas suas riquezas,
....a esses prescrevi que não sofressem nenhum desacato;
um forte escudo lancei sobre ambos.
....Não consenti que nenhum deles vencesse injustamente.


Sólon, séc. VII-VI a.C.
in Helade, Antologia da Cultura Clássica



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que bom seria que aqueles que, depois, executam as leis fossem, como o legislador, e não obscurecessem as leis...

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006


que nos diria o instinto se pudesse conversar connosco, quando os olhos, cansados, gritam por uma linha lá, no horizonte?...talvez a resposta fosse o silêncio e as cores discretas das praias vazias...talvez.


(imagens: os olhos, os meus...;
as praias de António Abagorro)

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Olhos verdes!...

Joaninha tem os olhos verdes...

Não se reflecte neles a pura luz dos céus, como nos olhos azuis.

Nem o fogo - e o fumo das paixões, como nos pretos.

Mas o viço do prado, a frescura e animação do bosque, a flutuação e a transparência do mar...

(in Viagens na Minha Terra, Almeida Garrett)

domingo, 17 de dezembro de 2006







há gulosos por aí?!...



espreitando o domingo...

sábado, 16 de dezembro de 2006

nota final...
Do you dream colorful?
Rick X
...

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

nota final...
Porque hoje terminou o 1º período lectivo, porque, na semana que agora finda, somando as horas de componente lectiva (aulas), componente não lectiva e formação, obtive um total de 59 horas de trabalho semanal.
Era bom que isto, também, se divulgasse.
*Esclareça-se que durante o fim-de-semana estarei a trabalhar, uma vez que na próxima semana, até 21 de Dezembro, se realizarão as reuniões, sendo que três delas estão marcadas para as 18h00.
e já é sexta-feira!
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(foto: Vendedor. Zomba. Malawi, de Alberto Mateo)
ANTES...
DEPOIS...

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

eu sei que tu sabes o que ele sabe que nós sabemos que eles sabem...


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portanto, sabemos todos, não?!...



"Aquele que ama é implacável, e só as almas mornas e indiferentes encontram no seu semblante uma justificação de misérias fraternas, e, perdoando-lhes, exigem o seu próprio perdão."


Agustina Bessa Luís, in A Sibila

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Checkmate
Emilio Merlina
outras árvores

um dia o rui saiu de casa e perdeu-se no caminho para a escola, tendo ido parar a um lugar cheio de árvores raquíticas, cinzentas, flores murchas, relva preta e, sobrevoando o lugar, bichinhos fedorentos e escuros.
vendo-se ali o rui sentiu medo. quis sair dali, ir embora, voltar à sua casinha...mas o pavor era tanto e tão forte que as pernas não conseguiam obedecer a essa vontade.
os seus olhos começaram a largar lágrimas: de início poucas e pequenas, depois, conforme a solidão o ia devorando, saíam violentas e em catadupa. também queria gritar...a voz não saía...também queria gesticular...os braços eram chumbo. então, os joelhos foram dobrando até tocarem o chão. ali ficou. assim ficou.
passaram um dia, dois e o rui naquela posição. tudo era sempre igual: as mesmas árvores raquíticas, cinzentas, flores murchas, relva preta e, sobrevoando o lugar, bichinhos fedorentos e escuros.
passados três dias, o rui ouviu alguém a dizer o seu nome: finalmente ia ser encontrado. quis gritar, mas a voz não saía. já não tinha medo e, contudo, a voz não saía da garganta.
quis levantar-se. não conseguiu: os joelhos já não eram os seus. pertenciam agora, também, à terra. e, de novo, o pavor invadiu o medo de nunca mais poder sair dali, entrando-lhe por todos os poros do corpo.
nesse momento sentiu que algo dentro dele crescia. algo que ele não conhecia...passaram-se semanas, meses, anos, e o rui lá continou.
já não era aquele menino que se costumava perder, quando ia para a escola. agora era mais uma daquelas árvores raquíticas, cinzentas que povoavam aquele lugar cheio de flores murchas, relva preta e sobrevoado por bichinhos fedorentos e escuros.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

nota final...

Sleeping
Emory
Fica sabendo bem: não andes em companhia
....de homens perversos, mas convive sempre com os bons.
Com estes deves beber, comer, abancar, e agradar
....àqueles cujo poder é grande.
Pois é com os bons que aprenderás o bem, e, se com os maus
....te misturas, perderás até o teu espírito.
Fixa isto, e convive com os bons. Um dia
....dirás que eu aconselho bem os meus amigos.

Teógonis (séc. VI-V a.C.)


(in Hélade, Antologia da Cultura Clássica,
Maria Helena da Rocha Pereira)
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há tantos séculos que é assim...

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

nota final...

Tango Argentina
Misha Lenn

por momentos, espaços serenos, tempos que ainda não conhecemos...fechamos os olhos. estamos tranquilos. assalta-nos a melancolia do dia que ontem lembrámos... e o repouso chegou. e, no entanto, inquieta-nos a hora que vem a seguir. temos de seguir à procura dessa luz. com o nosso tempo todo à espera, sem angústias ou medos.
descobrindo, encontrando, perdendo.



(imagens, por ordem: de Carlos Teixeira, Mar da Tranquilidade e Memórias //

de Ben Cabrera Berbicara, Melancoly //

de Carmen Herrera, Mensajeras dela Luz)

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"Não interessa: há seres para os quais nada, momentanemente pelo menos, é resposta para tudo. Michel organiza no Mont-Noir uma trapa pessoal. Tem-se prazer em dizer que não a esses apetites e a esses desejos que constituem a maior parte da nossa personalidade, ou do que supomos que a seja; prazer em pôr de parte a esperança; prazer em não ter nada, e mesmo em não ser nada, para nos sentirmos pura e simplesmente existir. Às seis da manhã, sai da cama em que leu e dormiu; sempre gostou dessa hora em que as coisas parecem limpas, lavadas pela noite."

Marguerite Yourcenar, O quê? A Eternidade

domingo, 10 de dezembro de 2006

nota final...
obrigada!





...Vem
...Além de toda a solidão
......perdi a luz do teu viver

................perdi o horizonte

Está bem

Prossegue lá até quereres

Mas vem depois iluminar Um coração que sofre

.....................Pertenço-te

Até ao fim do mar........sou como tu....

.....Da mesma luz ...Do mesmo amar

Por isso vem

..........................Porque te quero

.......Consolar

...................Se não está bem

......deixa-te andar a navegar

.................................Pertenço-te


...............................Até ao fim do mar

..............Sou como tu

...........................Da mesma luz

Do mesmo amar

...................Por isso vem

Porque te quero

................................Consolar

.....Se não está bem

..................deixa-te andar a navegar

.

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(LETRA: Vem, de Pedro Ayres Magalhães,

in Espírito da Paz - MADREDEUS //

FOTOS: Marko Petric)